sábado, 26 de abril de 2008

Sorte a tua, meu

"Sábado à noite. Coconuts. Fila enorme.
Dou um sinal ao porteiro e entro. Entram duas miúdas atrás de mim.

Deixo o casaco no bengaleiro.

A pista está cheia. A música ao rubro. Elas dançam, eu fico maluco.

"Safari-cola se faz favor".

Não, não é para mim. (não sou uma gaja...é o que a gaja ao meu lado no bar pede).

Chega a minha vez. "Boa noite. Um Gin Tónico, por favor."

A empregada do bar é fantástica. Uma miúda na casa dos 20 anos, top kai-kai, calças justas, havaianas calçadas, parecendo descalça, fazendo me lembrar a Renata a passear-se nas calorosas praias de São Paulo.

Vou para a pista e danço sozinho aos ritmos que me apetece.
Troco alguns olhares, mas não me sinto no auge. Até alguma falta de confiança. Estou fora dos meus tempos.
"Nunca mais fui o mesmo desde que a Carolina me deixou"- penso até - "Realmente, gostei dela."

"Como é que é, meu?Tas bom?Dá cá um abraço! Que é feito?" - encontro um amigo, mesmo na altura certa, quando já tinha alguma vontade de me ir embora.

Conversamos um bom bocado e vamos dançar novamente. É hora de meter conversa.
Não sai nada. Aproximo-me e afasto-me ou não sai a frase certa.

"Olá. Estás bom? Sou a Cristina."
A facilidade que elas têm em meter conversa quando nós não conseguimos.
A conversa pouco durou e daí a ver o nascer do sol no meu carro numa paisagem do Guincho foi um instante.
Fizemos o que tinhamos a fazer.
Senti-me especial novamente. Queria estar com ela para sempre.

Deixei-a no carro dela, que tinha ficado no Nuts. Não trocámos numeros de telefone.
Ela disse que não valia a pena. Para termos uma relação baseada em coisas diferentes. Que não fosse como todas as relações hoje em dia.
Combinámos vermo-nos no Nuts outra vez na semana seguinte.

Lá estive. No mesmo sítio à mesma hora. Não apareceu.
Até hoje."


adaptado da história de vida de um manso qualquer

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